Edição #3
O sexto e o sétimo dias do SXSW 2025 reforçaram como a tecnologia não apenas transforma o presente, mas acelera novas possibilidades para o futuro. Da computação quântica à biotecnologia, passando pelo impacto da inteligência artificial nos negócios, as discussões mostraram avanços que transcendem a inovação técnica—trazendo mudanças culturais e estratégicas que exigem novas formas de pensar.
Confira abaixo a última curadoria de palestras de destaque do SXSW 2025 e uma reflexão final sobre o festival 👇
#1 Grishma Rao: Criando uma Live de Conto de Fadas com IA
Com mais de 15 anos de experiência em design, Grishma Rao, do estúdio IDEO em Cambridge, não apenas projeta soluções inovadoras, mas redefine a relação entre humanos e tecnologia. Especialista em XR e aprendizado de máquina, ela traduz sistemas complexos em experiências acessíveis e impactantes.
"Se quisermos criar um colaborador artificial criativo, ele precisa de mais do que apenas dados – ele precisa de humor, insight e independência."
Muitos acreditam que a inteligência artificial está condenada à mediocridade, incapaz de inovar ou criar. Mas essa visão ignora um potencial transformador: o companheirismo criativo. Quando deixamos de enxergar a IA apenas como uma ferramenta e a tratamos como uma parceira, seu verdadeiro valor emerge.
Ela não substitui a criatividade humana, mas a desafia, impulsiona e expande. A grande questão não é se a IA pode ser criativa, mas como podemos usá-la para superar nossos próprios limites.

🤔 Olhar da Oxygène

IA NÃO SUBSTITUI CRIATIVIDADE, ELA A EXPANDE A inteligência artificial não é uma ameaça à criatividade, mas um catalisador. Como destaca Grishma Rao, o verdadeiro valor da IA surge quando a enxergamos não como uma ferramenta previsível, mas como uma parceira criativa – capaz de desafiar, inspirar e ampliar nossos limites. Para profissionais de comunicação, o diferencial seguirá sendo o olhar humano, a intuição e a capacidade de dar significado às mensagens. A IA pode processar dados, mas só nós podemos transformar informação em emoção, storytelling em conexão. O futuro da comunicação não pertence às máquinas, mas a quem souber usá-las para criar além do previsível.

#2 Joost van Dreunen: A grande reinicialização dos games
A indústria de games, avaliada em US$ 250 bilhões, está vivendo um momento de turbulência. No SXSW 2025, Joost van Dreunen, professor da NYU e especialista no mercado de jogos, traçou um panorama de um setor que, depois de anos de crescimento desenfreado, agora se vê diante de desafios estruturais profundos. O entusiasmo em torno de novas tecnologias e promessas de inovação contrasta com um cenário de custos crescentes, estratégias repetitivas e um mercado cada vez mais homogêneo.
Se a tecnologia é tão revolucionária, por que ainda estamos jogando os mesmos jogos de sempre, só que com um headset caro na cara?
Cenário Atual e Desafios Estruturais
Custos Elevados
Projetos altamente custosos da Sony e Ubisoft exemplificam o atual modelo problemático: investimentos exorbitantes tornam cada lançamento uma aposta arriscada, gerando demissões após fracassos comerciais.
Mercado Homogêneo
O mercado vive um "modo medo de risco", com poucas empresas se arriscando a inovar. A repetição de estratégias já testadas dificulta a diversificação e limita o potencial criativo do setor.
Superespecialização
Plataformas como Roblox ilustram o risco da superespecialização, ao focarem excessivamente em um único perfil demográfico, dificultando a retenção do público conforme ele amadurece.
Promessas Não Cumpridas
Realidade Virtual (VR) e Web3 são exemplos claros do abismo entre ambição e realidade. Essas inovações não conquistaram apelo massivo ou sustentabilidade econômica no setor de games.
Proposta de Solução: Low Tech, Low Brow e Low Cost
Para Joost van Dreunen, a solução passa por investir em jogos acessíveis, econômicos e populares. Formatos simples como jogos de tabuleiro e esportes leves (pickleball) mostram que não é necessário grandes orçamentos ou tecnologias caras para conquistar o público. O sucesso recente do filme do Mario questiona o atual modelo da indústria, que aposta exageradamente em narrativas complexas e hiperrealismo, negligenciando a simplicidade do entretenimento.
#3 Sandy Carter:
Acabando com os mitos sobre IA
A inteligência artificial está no centro das transformações do mundo dos negócios, mas junto com o hype vêm os equívocos e os mitos. No SXSW 2025, Sandy Carter, uma das maiores especialistas em IA e blockchain, veio para desmistificar dez crenças erradas sobre a tecnologia—e, claro, oferecer recomendações para quem quer aproveitar essa revolução.
"Parte do que está acontecendo conosco é que estamos vivendo em um mundo tecnológico que está basicamente removendo todo atrito possível e nos dando ‘perfeições algorítmicas’ a ponto de, quando as coisas não saem como imaginamos, ficamos perplexos."
Confira os principais mitos que ela desconstruiu:
“IA vai substituir todos os empregos”
Verdade: A IA vai criar mais empregos do que eliminar.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, 92 milhões de empregos serão eliminados, mas 170 milhões de novos surgirão.
Recomendação: "Comece a testar ferramentas de IA no seu trabalho antes que alguém faça isso por você."
“Não dá para confiar na IA”
Verdade: Confiança em IA: eliminar viés, garantir transparência e segurança.
Exemplos mostram modelos precisam ser refinados para eliminar riscos.
Dica: "Certificação de confiança em IA será vantagem competitiva. Não investir, ficará para trás."
“Minha marca não será impactada pela IA”
Verdade: Toda marca já é afetada pela IA.
45% usam IA para buscar informações, SEO está sendo substituído por GEO. Marcas como Disney e Farfetch usam IA para experiências personalizadas.
Dica: "Seu conteúdo precisa estar pronto para as buscas em IA."
“Implementar IA é muito complexo”
Verdade: Ferramentas no-code permitem que qualquer um crie soluções de IA sem programar.
Executivos sem experiência criaram ferramentas personalizadas com IA.
Dica: "Teste uma plataforma no-code e crie algo útil!"
“Basta qualquer dado para IA funcionar bem”
Verdade: Dados são mais importantes que quantidade. Modelos com dados específicos têm até 85% de acurácia, ideal para setores como finanças e saúde.
Dica: "Trate dados como ativo estratégico. Eles valem mais que código!"
“IA é só sobre software”
Verdade: Robôs e IA física estão se tornando realidade. Empresas como Tesla e Boston Dynamics estão desenvolvendo soluções avançadas.
Dica: "IA não é apenas software, o futuro é físico!"
“IA não pode ser criativa”
Verdade: IA pode ampliar a criatividade. Sandy contou a história de um especialista em marketing que usou IA para continuar seu podcast após perder a voz.
Dica: "Se você trabalha com criatividade, experimente IA. Ela não vai roubar sua criatividade, vai ampliá-la."
“IA é apenas uma ferramenta, sem impacto na ética e na sociedade”
Verdade: Atenção às implicações sociais da IA. Seu uso na personalização de notícias, reconhecimento facial e deepfakes levanta questões éticas importantes.
Dica: "Não podemos apenas seguir a onda da IA sem questioná-la. Precisamos garantir que seja usada de forma ética e responsável."

🤔 Olhar da Oxygène

IA PARA MARCAS: ADAPTE-SE OU FIQUE PARA TRÁS A IA não é o futuro – é o agora. Do marketing à experiência do cliente, tudo já está sendo moldado por algoritmos. SEO virou GEO, personalização é padrão e confiança em IA será um diferencial competitivo. O erro das marcas não é técnico, é estratégico. Enquanto algumas esperam o "momento certo", outras já inovam com ferramentas no-code e dados como ativos valiosos. A IA não substitui a criatividade, mas amplia quem souber usá-la. Quem entender isso não apenas seguirá relevante – liderará a revolução.

Fechamento SXSW 2025:
O olhar da Oxygène sobre tecnologia, comportamento e o futuro das marcas.
🤔 Olhar Oxygène SXSW 2025: tecnologia e comportamento
🤖 Onde está o humano na revolução tecnológica?
O SXSW 2025 nos convidou a olhar além das telas e circuitos para encarar uma questão essencial: enquanto a IA avança, as redes sociais se fragmentam e a personalização digital promete atender desejos antes mesmo de expressá-los, e onde está o ser humano?
1. A tecnologia não pensa, mas já decide por nós
Os algoritmos não apenas organizam nosso mundo – eles o moldam. Se tudo ao nosso redor é criado para agradar, quando foi a última vez que fomos desafiados? O verdadeiro impacto da tecnologia será a maneira como redefine nossa percepção de escolha e identidade.
2. A nova solidão: hiperconexão ou isolamento?
Nunca foi tão fácil interagir digitalmente e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão isolados. As interações são mediadas por IA, o feed moldado por algoritmos. Não escolhemos mais o que vemos – o que vemos nos escolhe. Para marcas e criadores, o desafio é ser memorável em um mar de conteúdo sob medida.
3. O futuro está em quem comanda as máquinas
A tecnologia não vai parar, mas o que importa é a direção que escolhemos dar a ela. O maior risco da era digital não é perder empregos para máquinas – é perder nossa própria humanidade no processo. O amanhã será definido não pelos algoritmos, mas por aqueles que ousarem questioná-los.
O desafio para empresas e marcas não é apenas adotar inovações, mas garantir que a tecnologia potencialize a expressão humana em vez de reduzi-la a padrões previsíveis.
🤔 Olhar Oxygène SXSW 2025: marcas
Preparando sua marca para promptable, adaptável e escalável
Em um contexto marcado pela transformação da relação entre pessoas e marcas, emerge claramente um novo paradigma para 2025, onde a adaptabilidade e a capacidade de execução ágil serão decisivas.
Se antes as marcas tinham o privilégio de direcionar a atenção por canais hierarquizados e altamente controlados, o cenário atual mostra um modelo emergente, onde as experiências são construídas de forma descentralizada, espontânea e colaborativa.
O público não recebe mais mensagens de cima para baixo; ele encontra, interpreta e recria o sentido das marcas a partir de múltiplos pontos de contato, influenciados por criadores, curadores, comunidades e influenciadores diversos.
Nesse novo contexto, três vetores estratégicos ganham centralidade:
Promptabilidade e Integração à AX
As marcas precisarão evoluir da UX para a AX, tornando-se entidades facilmente acionáveis em sistemas autônomos. Não bastará oferecer experiências centradas apenas em interfaces, será necessário pensar modelos de negócio, conhecimento próprio, ferramentas tecnológicas e formas inteligentes e acessíveis de interação. A marca que não se tornar "promptable" nesse ecossistema corre sério risco de irrelevância.
Estrutura Interna para Criatividade
A ousadia criativa, isolada, já não será suficiente para construir relevância. O ponto decisivo será a estrutura interna das empresas: menos hierarquia e burocracia, maior autonomia e agilidade decisória. É preciso permitir que ideias culturais provocativas sobrevivam ao processo de aprovação. Isso demanda mais que coragem criativa; exige reformar a cultura organizacional, reduzindo camadas decisórias e empoderando especialistas alinhados à essência da marca. A execução ágil é tão importante quanto a originalidade das ideias.
Escalabilidade como Métrica
Ideias criativas serão avaliadas não apenas pela força do insight original, mas pela capacidade de se adaptar e escalar em diferentes formatos, contextos e plataformas. O exemplo do Google no Super Bowl 2025, que transforma uma campanha única em dezenas de execuções específicas para diferentes estados, é a representação clara dessa lógica. Marcas precisarão desenvolver capacidades de escala, produzindo fragmentos únicos e relevantes de conteúdo que mantenham uma conexão clara com a narrativa maior.
Em 2025, o maior risco não será errar, mas permanecer rígido demais para sobreviver ao mosaico cultural emergente.
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Edição #1